Bukhara – Roteiro de 2 dias, Uzbequistão

Bukhara é considerada uma das cidades mais sagradas da Ásia Central e nas suas ruas encontraremos edifícios com mais de mil anos de idade.

Todo o centro histórico de Bukhara é como que um museu vivo, retratando um passado feito de sucessivas camadas, cada uma delas criada por um invasor com uma entidade cultural distinta. Vêem-se aqui traços das influências persa, mongol e russa, para além dos vestígios do recente passado soviético.

Não é portanto de surpreender que em 1993 tenha o centro histórico de Bukhara sido escolhido pela UNESCO para integrar a sua lista de locais Património Mundial da Humanidade.

Podem-se ali observar inúmeras mesquitas, madraças e caravansarais, mas talvez o melhor seja mesmo errar pelas ruelas que formam a cidade antiga e onde os habitantes levam uma vida pacata, com um toque de ruralidade.

Bukhara localiza-se próximo da fronteira com o Turquemenistão, sendo um ponto de entrada ou saída comum para quem quer que inclua esse país no seu itinerário pela Ásia Central. Outra opção, nesse caso, será Nukus.

A Viagem até Bukhara

Estacao comboio em Bukhara
Estação comboio em Bukhara

300 quilómetros separam Samarkand de Bukhara, que poderão ser ultrapassados de comboio ou de autocarro ou marshrutka.

Existem cinco comboios diários: 9:48, 12:29, 20:58, 00:13 e 02:00, com chegadas previstas, respectivamente, às 11:19, 15:09, 22:39, 3:42 e 6:37. Uma partida às duas da manhã poderá parecer algo estranho, mas é que o comboio não tem origem em Samarkand, mas sim de Tashkent, de onde sai a uma hora mais normal.

Note que o comboio das 00:13 só funciona às Terças, Quartas e Sextas-feiras assim como aos Domingos.

Verifique os preços e os horários no website oficial dos caminhos de ferro do Uzbequistão.

A viagem por estrada entre Samarkand e Bhukara demorará umas quatro horas, custando o bilhete de autocarro 30,000 UZS, talvez um pouco mais. A Estação Central, localizada na rua Gijduvon, na parte norte de Bhukara, será o ponto de chegada à cidade.

O que ver e fazer em Bukhara

Bukhara Ark

Bukhara Ark

Este palácio trata-se do núcleo do centro de Bukhara, construído inicialmente no século V e ocupado ininterruptamente até 1920, quando o Exército Vermelho a bombardeou. Nunca recuperou dessa provação e o que hoje ali vemos são essencialmente ruínas da sua época de ouro, quando serviu de residência aos emires de Bukhara. Por essa altura era uma autêntica cidade dentro da cidade, existindo no seu interior palacetes, templos, casernas, escritórios, uma casa de cunhagem de moeda, armazéns, oficinas, um arsenal e uma prisão.

Actualmente encontra-se parcialmente aberto ao público, entre as 9:00 e as 18:00. Uma boa parte do palácio é hoje ocupada por escritórios mas existe um museu e os espaços exteriores podem ser explorados pelos viajantes, tendo sido ali colocados diversos painéis interpretativos com textos em inglês.

Caravansarai de Nughai

Caravansarai de Nughai

Trata-se de um excelente exemplo de um caravansarai urbano, elemento essencial no fluxo de gentes e mercadorias durante séculos e pedra basilar da rota da seda. Note que enquanto os caravansarai rurais, distribuídos pela Ásia Central para oferecer guarida por uma noite aos caravaneiros, os que se encontravam nas cidades apresentavam uma complexidade que os aproxima do modelo dos hotéis actuais.

O de Nughai, estrategicamente localizado próximo do Bazar Taqi-Sarrafon, data do século XVI, tendo sido construído durante o reinado do Khan Muhammad Rahimbiy.

Em apenas um piso existem quarenta e cinco quartos, sem contar com as cozinhas, alojamento para os serventes e outras divisões de apoio. Este caravensarai tinha capacidade para alojar cerca de trinta mercadores e seus acompanhantes, oferecendo-lhes abrigo, comida e um local onde podiam debater assuntos de negócios.

Hoje em dia encontra-se transformado num espaço de artesanato.

Char Minar

Char Minar Bukhara

O seu nome significa, em tajique, “os quatro minaretes”, apesar de ser uma designação figurativa, já que as estruturas que ali podemos ver nunca foram realmente minaretes mas torres decorativas de uma madraça que em 1807 ali foi construída, talvez para substituir uma outra, pois existem documentos históricos que apontam para a existência de uma escola religiosa naquele local em finais do século XVII.

As quatro torres têm padrões diferentes, representando possivelmente a harmonia entre as quatro principais religiões do mundo.  

As ruas envolventes são elas próprias dignas de uma visita. Essa série de estreitas vias, formando quase um labirinto, têm um toque indiano que não se avista noutras partes da cidade.

Por uma pequena quantia o visitante poderá subir ao topo da antiga madraça e observar as torres de perto.

Maghok-i-Attar

Museu Maghok-i-Attar em Bukhara

O Maghok-i-Attar é um museu de tapeçaria exibindo belas peças de origem Solor e Ersari Turkmen, mas talvez mais interessante que a exposição é a história e arquitectura da estrutura. Trata-se da mais antiga mesquita existente no Uzbequistão, construída originalmente no século IX e renovada no século XVI.

Por alguma razão o local onde foi erigida parece ter um forte atractivo espiritual, pois foram ali encontrados vestígios de um templo budista e as estruturas de um templo zoroastriano. Há sinais de que existem ainda algumas práticas no local desse antigo culto.

Uma lenda diz que a mesquita sobreviveu à conquista mongol por ter sido enterrada em areia pela população local e de facto quando foi encontrada, em 1930, apenas o seu topo se encontrava visível.

Outra história diz que até ao século XVI os judeus de Bukhara estavam autorizados a usar a mesquita como sinagoga, o que era feito ao serão.

Se as estruturas das ruínas que rodeiam o edifício o intrigarem, fique a saber que pertenceram a um complexo de banhos e a um caravansarai.

Casa Museu de Fayzulla Khojaev

Casa Museu de Fayzulla Khojaev

Esta casa foi construída em 1892 e aqui habitou Fayzulla Khojaev e a sua família. E de quem se tratava este Fayzulla Khojaev? Era um próspero mercado que se aliou aos soviéticos para depôr o emir Alim Khan, tendo com isso ganho uma posição de destaque na nova República Soviética. Isto até Estaline o mandar executar em 1938.

Fayzulla Khojaev viveu na casa até 1925, altura em que a casa foi transformada numa escola. Hoje em dia pode ser visitada, entre as 9:00 e as 17:00 de Sexta a Terça-feira e até às 15:00 às Quintas-feiras.  

Minarete Kalon

Minarete Kalon Bukhara

Este minarete foi erigido em 1127, durante o reinado de Arslan Khan, e seria nessa altura a mais alta estrutura da Ásia Central.

Tem uma altura de 47 metros acima do nível do solo e as suas fundações têm uma profundidade de 10 metros.

Diz-se que o próprio Gengis Khan ficou tão impressionado que deu ordens aos seus homens para não tocarem no minarete, enquanto o resto da cidade era arrasada. Já o Exército Vermelho não ficou tão impressionado, e em 1920 as peças de artilharia do general Frunze abrigam fogo sobre ele, danificando-o.

Apesar disso, hoje em dia encontra-se impecavelmente restaurado, deixando observar os ricos ornamentos que o revestem, inclusive os primeiros mosaicos de azul esmaltado que mais tarde haveriam de cobrir todos os monumentos de vulto da Ásia Central.

Infelizmente não é já possível aos visitantes subirem os cento e cinco degraus do interior do minarete.

Cemitério Judeu

Cemitério Judeu em Bukhara

Quem gosta de visitar este tipo de espaços poderá querer dar uma vista de olhos ao Cemitério Judeu, uma testemunha das dimensões de uma comunidade que nos dias de hoje não chegará aos cinquenta indivíduos.

Não fica muito longe da sinagoga e é bem mantido, ocupando uma vasta área onde se encontram túmulos criados ao longo de séculos.

Mausoléu de Ismail Samani

Mausoleu de Ismail Samani Bukhara

Este pequeno mausoléu foi construído para receber os restos mortais de Ismail Samani, o fundador da dinastia Samânida, encontrando-se também ali sepultados o seu pai e o neto Hasr.

O mausoléu foi concluído em 905, sendo o mais antigo edifício islâmico da cidade. Notavelmente apenas a sua cúpula necessitou de trabalhos de restauro desde a sua construção.

Esta cúpula semi-esférica assenta no corpo principal do edifício, em forma cúbica. As paredes exteriores estão decoradas com padrões geométricos.